Alta Patagônia : Cerro Chapelco

Para quem pensa em curtir a temporada de neve na Argentina, minha melhor dica é não deixar a charmosa San Martin de Los Andes de fora do roteiro: o vilarejo é muito acolhedor e bem mais tranquilo que a lotada “brasiloche“.

  • Logística otimizada:

Se seus planos incluem conhecer a Ruta de los Siete Lagos, sugiro começar a viagem desembarcando no aeroporto de Bariloche. Depois de curtir alguns dias por ali (post aqui), vá até San Martin via terrestre, parando em Villa la Angostura no caminho (post sobre Villa em breve). Chegando lá, aproveite que a cidadezinha dispõe do Aeropuerto Chapelco para embarcar de volta ao Brasil.

Nós, que optamos por não alugar carro nessa viagem para não termos que nos preocupar com coisas do tipo “colocar correntes de neve nos pneus”, amamos fazer os 200km que separam Bariloche de San Martin apreciando a lindíssima Ruta de Los Siete Lagos confortavelmente, em um ônibus aquecido.

  • Onde se hospedar:

Ficamos no Le Village e gostamos muito. Atendimento atencioso, quarto impecável, cama e chuveiro deliciosos, além de ser muito bem localizado e oferecer um café da manhã farto e variado.

  • Onde comer:

Na Av. San Martin, a principal da cidade, fica o Dublin. O lugar serve pizzas, lanches e refeições durante o dia e, à noitinha, funciona como point para happy hour. Experimentamos a Wok de Legumes e Salmão e estava delicioso!

Para aqueles dias em que estamos exaustos demais para jantar fora, recomendo a deli que fica em frente ao Hotel Le Village: com planos de comer no quarto, pedimos algumas guarnições de torradinhas, queijos, azeitonas recheadas, jamón curado… tudo acompanhado, claro, de um belo Malbec local.

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  • Onde alugar equipamento de neve:

A Austria é uma das maiores lojas de equipos da cidade. Como temos nossas próprias roupas de neve, alugamos apenas o equipamento para snowboard. Escolhemos todo o equipamento no final da tarde e, na manhã seguinte, apenas os retiramos diretamente no posto avançado que a loja mantém na base do Cerro Chapelco – muito mais prático!

  • Onde praticar esportes:

Cerro Chapelco! Embora não disponha da mesma estrutura gigantesca do Cerro Catedral, eu adorei o clima mais intimista do Chapelco: muitas famílias com crianças sim, mas percebe-se que é uma turma menos “turistona”. O cerro tem, inclusive, uma escolinha para crianças chamada “Jardín de Nieve“, onde a criançada aprende a esquiar e, honestamente, a colocar muito adulto no chinelinho.

Na escola do Chapelco contratamos uma aula para aprender o básico e super recomendamos – se você puder escolher, peça para fazer aula com a Marina López: ela é a professora mais querida e paciente do mundo! (Marina, mil gracias por todo!)

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  • Em caso de acidente…

Se você assistiu ao vídeo lá no início do post, já sabe que o Rafa sofreu um acidente durante a última descida de  snowboard do dia quando o Chapelco estava quase fechando. Eu, que estava lá embaixo e vi o acidente, senti meu coração ficar gelado porque mesmo de longe dava para ver que não era um tombo qualquer e que ele tinha se machucado. Percebendo que estava sozinho lá em cima, o Rafa deu um jeito de se desvirar e desceu o restante do morro de snow mesmo, porque na hora ele só pensou em conseguir ajuda rápido.

Se algum dia você se acidentar na neve não faça o que o Rafa fez, ok? Para evitar de se machucar ainda mais em uma eventual segunda queda, faça o que você puder para pedir ajuda e espere o resgate. E nunca esquie sozinho, porque seu amigo sempre vai sentir a sua falta. Mais dicas sobre emergências aqui, fornecidas pelo próprio Cerro Chapelco.

Apoiei o Rafa até o restaurante já vazio (era closing time!), onde um funcionário da limpeza chamou a equipe médica. Para descermos, os paramédicos o colocaram em uma maca, pararam o funcionamento do teleférico e encaixaram uma cabine adaptada para emergências médicas, branca com uma cruz vermelha (para ser igual a uma ambulância, faltava apenas a sirene!).

Na base, fomos para o pronto socorro do cerro, onde pela radiografia soubemos que, felizmente, era só um ombro deslocado. Recebemos todo o atendimento, uma tipoia, a medicação e uma carona de ambulância para voltarmos ao vilarejo (o cerro fecha às 17h00 e, a partir das 18h00, já não há mais transporte público de qualquer natureza).

Embora tivéssemos o seguro viagem, precisamos pagar tudo como se fosse particular – o PS aceita pagamento tanto em dinheiro quanto em cartão e fornece todos os recibos para podermos pedir reembolso ao retornar ao Brasil. Dica: não esqueça de pedirem para colocar o CID no seu recibo, porque o seguro costuma exigir.

Ficamos chateados, claro – o Rafa com dor, eu me recuperando do susto… mas ali, na ambulância que nos deu carona de volta ao hotel, decidimos que isso não afetaria o resto da viagem e que levaríamos com toda a leveza que pudéssemos porque, tanto na viagem quanto na vida, não importa o que nos acontece e sim o que fazemos a partir disso. Nossos acidentes não nos definem, mas a maneira com que seguimos em frente, sim. E no dia seguinte seguimos viagem para Villa La Angostura!

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